Mário Soares não diminuiu o seu lugar na História com a desastrada aventura presidencial em que se meteu no final do Verão de 2005, aos oitenta anos de idade. Quando muito, a sua biografia terminará com uma nota melancólica ou até soturna, em dissonância com uma vida cheia de luz, grandeza e sucesso, em que os ocasionais revezes devem ser levados à conta do que por vezes inevitavelmente perde quem muito arrisca e luta. Era, e continua a ser, um “pai da Pátria”. Entre os seus muitos êxitos, avulta aquele que recolhe a gratidão e o louvor unânime dos Portugueses. Foi entre 1974 e 1976. Quando os comunistas se preparavam para confiscar a revolução de Abril e submeter Portugal a uma nova ditadura, e quando Cunhal planeava fazer de Soares um Kerensky português, Soares furtou-se a esse destino e liderou uma contra-revolução democrática triunfal: nem conduziu a uma “restauração” revanchista, nem ao aniquilamento dos adversários à sua esquerda. Conduziu, muito simples e precisamente, à Democracia. Soares cometeu um dos feitos mais difíceis da História: travar a revolução, sem cair na reacção.
E mais nada fica por dizer.
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quinta-feira, 1 de maio de 2008
segunda-feira, 28 de abril de 2008
domingo, 27 de abril de 2008
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