quinta-feira, 20 de março de 2008
Políticos e as Auto-Estradas!
Este é o meu primeiro " post " neste blog, pois só recentemente consegui juntar ao tempo disponível a inspiração necessária para uma boa discussão política.
O assunto que trago aqui hoje é algo muito sério, mas ao mesmo tempo tem a sua dose de piada!
Hoje, no jornal da noite de uma das televisões privadas portuguesas, uma das primeiras notícias foi o início da operação " Páscoa" levada a cabo pela GNR. Até aqui tudo bem... Mas o principal assunto desta noticia foi o facto de um dos primeiros a ser "apanhado" pela GNR durante esta operação foi ,nem mais nem menos ,o vice-presidente da Câmara Municipal de Gaia que viajava a uma velocidade superior a 180 km/h. Depois de parar e pagar a respectiva sanção, este político dirige-se para o seu local de trabalho sem prestar qualquer declarações ás equipas de reportagem presentes no local.
Algumas horas mais tarde, o Vice-Presidente da CM de Gaia é de novo abordado por uma equipa de reportagem e justifica o facto de não ter dado a entrevista no local onde tinha sido multado pois nessa altura se encontrava perplexo pelo comportamento da GNR que o tinham abordado através de carros " descaracterizados" sem qualquer tipo de luzes de perigo ou aviso...
O que dizer acerca disto excepto que foi uma das desculpas mais lamentáveis de um politico português que, em vez de reconhecer que estava errado e que procedeu mal uma vez que pôs em perigo não só a sua vida, como a vida dos ocupantes do veiculo e dos restantes utentes da via em que circulava, decidiu culpar as forças da autoridade que, de facto, foram os únicos que actuaram com responsabilidade nesta situação. Se no seu trabalho, os políticos já são o que são, então na estrada parecem verdadeiros irresponsáveis.É triste....mas é a realidade.
Queria também saudar as forças de autoridade portuguesas que fazem um bom trabalho pela segurança e bem-estar dos cidadãos, chegando, em muitos casos, a pôr em risco as suas próprias vidas. É necessário lembrar este facto, pois são muitas as pessoas que esquecem, ou ignoram.
Cumprimentos a todos
PS: espero que este post marque o início de um grande período de debates de qualidade. Porque aqui sim...Há discussão!
Hoje escrevo sobre política, mas no meu texto de hoje prometo não usar termos como fascistas, americanismos, discriminação, racismo, todos estes termos em que geralmente discordam de mim.
Se lerem a ediçãode hoje do publico vão encontrar umas declarações do professor Marcelo Rebelo de Sousa, em que ele afirma que o PSD tem que se virar para o elitorado de centro-esquerda, procurando-o atrair a si nomeadamente através das políticas económicas e sociais.
Ainda hoje falei disto com o noronha, que não havia mais nem esquerda nem direita, que os partidos hoje se viram para as necessidades das pessoas e acabam por ter uma politica para a saude que pode fugir da sua base ideológica, e quem diz saude diz educação, justiça, economia, defesa, tudo. Noronha, É certo que não deixa de existir esquerda ou direita, mas ao nível partidário já não faz sentido falar em partidos de esquerda ou de direita. Os partidos são hoje maquinas que procuram de todas as formas e com todas as promessas possíveis atrair a si o eleitorado. É esta a minha opinião.
Só uma nota mais. A edição online tem em baixo caixas de comentários. Como eu sou estranho, costumo lê-los. Num desses comentários escreve-se que o PSd tem de ter Marcelo para ganhar as proximas eleições. Se assim não for, qualquer outro perderá. De facto, Marcelo parece hoje ser o único capaz de derrotar Sócrates. Só para pensarmos nisto.
Abraço
Alguém sabe dos meus óculos de sol?
terça-feira, 18 de março de 2008
Da discriminação
Hoje decidi ir dar sangue. Chegada ao hospital, entregam-me uma folha com uma lista de condicionantes para ser dador, que tem de ser assinada por quem se candidata a dador. Até aqui tudo normal, afinal, é a saúde de outras pessoas que está em risco.
O problema é que uma das condicionantes é “ter tido relações sexuais com pessoas do mesmo sexo”. Por outras palavras “se é homossexual não pode dar sangue”. Isto ao lado de coisas como “ter feito sexo com prostitutas”. A isto chamo discriminação. Primeiro porque o facto de alguém ser homossexual não implica que tenha comportamentos de risco e depois porque estando antes uma lista de comportamentos sexuais de risco, é ridículo anular logo a possibilidade de doação de um homossexual. Talvez se tema que a homossexualidade se transmita pelo sangue.
Esperava mais de um Portugal que pertence à União Europeia e se diz moderno e tolerante. Aliás, onde anda o respeito pelo artigo 13º da nossa constituição? Entre muitas outras situações de desrespeito pela opção sexual dos cidadãos, esta é uma daqueles flagrantes, que motiva que muita gente acabe por mentir nestes questionários.
segunda-feira, 17 de março de 2008
domingo, 16 de março de 2008
sobre o Aborto
Para não me prolongar mais do que o devido, devo já esclarecer que a minha posição é a do Francisco Noronha na sua quase totalidade.
Vou então, como é hábito daqui do blog, "dissecar" lentamente o teu texto de 9 linhas (eheh) e tentar fazer valer algumas premissas minhas para te tentar mostrar o meu ponto de vista.
Sobre a tal notícia, é óbvio que ela não é falsa porque não a inventaste. As fontes do Jornal, que eu não sei qual é mas que espero ter sido um minimamente respeitável e credível, é que têm que tomar as culpas ou os louros. Tiraste, a meu ver, uma interpretação possível, que eu não partilho. Quando nesses casos, tenta mostrar o mais possível da notícia, porque é muito complicado argumentar e contra-argumentar baseado NUM título de UM jornal. Quanto ao aborto, em si, e em relação à campanha referendária, acho muito bem que tenhas tomado a tua posição, e a posição que tomaste, calculo que te informaste e que procuras fundamentar essa opinião que sustentas.
Na minha opinião, o tema do referendo nunca passou por ser permitido ou não abortar. O aborto voluntário é uma prática antiquíssima. Lá na minha "terrinha" ainda existem as velhas carquejas que vendem as plantas especiais para a meninas grávidas, cá na Cidade ainda existem as clínicas privadas, e da maneira que anda o mundo, ainda será assim por muito tempo.
A escolha do aborto é uma escolha moral. Logo, prende-se ao indivíduo, e isso está para além da esfera intervencionista do Estado. Uma vez ultrapassada essa esfera, temos de nos haver com um Estado Corporativista ou Fascista, ou Autoritário, ou etc.
Isto é o meu ponto de vista, enquanto social-liberal, neo-liberal, o que quer que me chamem, eu penso apenas é que a liberdade é o fundamento do Estado de Direito. Também me chamam Monárquico, mas isso não tem nada para aqui chamado.
As pessoas que votaram Sim, não votaram a favor do Aborto, João. Ninguém vota a favor do Aborto, ninguém quer abortar. É uma experiência deveras traumatizante, tanto para homens como para mulheres, se bem que ainda mais dura no que toca às parturientes. O que se votou, como disse o Francisco, foi a despenalização, (e agora acrescento eu) não a Liberalização. Nos dizeres agora do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, que tomou uma posição muito bem fundamentada ao longo do debate.
O que se passa, a meu ver, é talvez um exagero da questão do Aborto. Tudo foi feito de forma a parecer uma enorme batalha cliché entre as forças do cristianismo e as do jacobinismo, e quem se mantivesse à baila que se agarrasse bem, pois ia haver mais.
Eu não tomei essa posição. Sou religioso na medida que um rapaz minimamente letrado pode ser. Não me acredito em tudo, mas procuro analisar as causas de certos factos, e sou acérrimo defensor da tolerância religiosa enquanto pedra base da Democracia. Sou defensor de um Estado Laico, não um Estado Laicista, porque isso já é deturpador das liberdades e garantias (art. 41º). Mas voltando ao assunto, critiquei arduamente a posição de muitos dos partidos de direita, também de muitos do de esquerda, critiquei a doença do país na altura, em que só faltava uma guerra civil entre os "padrecos fascistas" e os "assassinos de bebés", como eram as alcunhas injuriadoras dos adversários.
Quanto a Ciência, não sei de pesquisas nenhumas. A meu ver, nem precisava, eu acredito que possivelmente um feto humano pode ter o estatuto de Humanidade... no entanto, o legislador João, não é um cientista. Eu, que me viro para uma perspectiva historicista do Direito, e naturalmente jusnaturalista, recuso-me a observar as coisas desse ângulo. O legislador é um cidadão, antes de tudo. E deve ouvir o cientista em matérias de Ciência. Mas a decisão é dele, tomada com o melhor proveito para a população e tendo em vista a sua felicidade. A lei diz-nos que o nascituro, o que ainda não nasceu, não tem personalidade jurídica até à data do seu nascimento (artigo 66º do CC). No entanto, isso não leva a que os seus direitos não sejam em parte observados, sendo activos no que toca a doações (artigo 952º) e na capacidade testamentária (artigo 2033º/2 alínea a). Os romanos consideravam o nascituro de forma semelhante, reconhecendo a sua futura humanidade (e já explico este "futura humanidade") dotada de certos efeitos jurídicos. Não era, no entanto, considerado pessoa (aqui está a explicação). Não está "in rerum natura", é "mulieris portio vel viscerum".
Este é um dos muitos exemplos que a perspectiva histórica te pode dar, acredita que a romanística é doce quando comparada com as duras leis dos germanos, e que podemos seguir, é claro que sem cometer a falácia de não actualizar textos, e de perceber que a humanitas dos romanos não é a mesma que a dos nossos dias.
De concluir que o aborto é uma prática fora do alcance do Estado, e este não a pode legalizar nem ilegalizar. Através da prática costumeira, tornou-se um dado adquirido na nossa sociedade. Não está ligado directamente aos direitos e garantias, mas faz parte de um estatuto humano garantido pelo povo, e por muito que implique o desaparecimento de outra vida, é, no dizer do Francisco, parte do "mundo egoísta e hipócrita" em que vivemos, é também uma necessidade psicológica, é também uma prática justificável em vários casos.
A acção do Estado nestes casos é somente aplicável no que toca ao asseguramento da comodidade do cidadão, e prevenir que este possa sair denegrido pela sociedade ou prejudicado por uma operação médica clandestina, no caso de muitas mulheres, da própria morte.
Aos acontecimentos em si, tenho poucas palavras. Acho que sinceramente foi um problema que veio "fora-de-mão". Num país em envelhecimento, as energias do Estado deviam antes ter sido despendidas na defesa da natalidade, nas ajudas aos pais e instituições, aos prémios de natalidade, aos incentivos. A saúde pública não é um negócio, e foi corrigida uma situação há muito necessitada de ser corrigida. No entanto, pergunto-me se não teria sido mais prolífico aplicar as enormes somas de verbas nos exemplos atrás referidos, e um pouco mais tarde tratar de rectificar a situação do aborto em Portugal.
sábado, 15 de março de 2008
Adeus piercings e tatoos!!
Agora pergunto onde está a liberdade de escolha?! Até porque fazer um piercing ou tatuagem é uma actividade amplamente praticada na nossa sociedade actualmente.
Pelos vistos é mais fácil fazer leis do que apostar na informação aos consumidores e na fiscalização dos estabelecimentos que estão encarregues deste tipo de actividade.
Andam tão preocupados com a saúde os Srs. Deputados que se esquecem que talvez as salas de chuto ajudariam a diminuir a transmissão da SIDA e, talvez, até seria o ponto de partida para levar muitos toxicodependentes a deixar de consumir droga, e esquecem-se que a prostituição é um problema conhecido e bastante presente, principalmente no que diz respeito à transmissão de doenças.
Reminiscências
Venho aqui pronunciar-me sobre o primeiro post do João.
Confesso que estou um pouco desiludido. Depois de andarmos aqui a batalhar sobre a suposta direita "esclarecida, moderna e plural", o João traz-nos aqui um exemplar brilhante da direita pobre, retrógada, beata e com umas palas enormes de cada lado da confusa cabeça que continua infelizmente a subsistir. Especialmente em Portugal. A estes simpáticos adjectivos por mim utilizados, o discurso João pauta ainda por uma confrangedora demagogia. Dei várias voltas desconfortáveis e envergonhadas na cadeira enquanto lia pérolas como esta: "Os números confirmam que o aborto teve um aumento na ordem dos milhares dando razão aos defensores do Não ao Aborto. Esta facilidade não ajuda as mulheres portuguesas nem respeita os Direitos Fundamentais do Homem. Hoje em dia ninguém pode dizer que ali (momento da concepção), não há vida humana". Pior do que esta demagogia e deste moralismo fácil asqueroso, o João serve-se ainda de dados que não existem. "Para acabar este pequeno comentário, lembro que a Ciência já provou que a vida começa na concepção (...)", diz o João. Pois João, gostava que me dissesses e apresentasses esta "Ciência". Porque ela só deve existir na tua cabeça. O começo da vida humana é uma questão sem resposta unânime. Nunca houve essa resposta e, arrisco, nunca haverá. Muitos concordam com as tuas palavras, muitos outros discordam em absoluto. Por isso, a "Ciência" não "provou" absolutamente nada. Nada. Porque não é possível provar factos que nem o próprio homem conhece na sua totalidade. Nem um homem de ciências, nem muito menos tu, João. Cuidado pois com as "provas". Quando referidas como tu o fizeste, levam a que se caia, pura e simplesmente, na mentira. E mentir não é discutir.
Quanto ao texto do João, pouco mais tenho a dizer. Tenho pena, porque esperava um pouco mais. Então a tua resposta para a Daniela, João, é francamente... triste. Só isso. Triste.
Relativamente à questão propriamente dita, a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), lembro-me que aquando do referendo, recebi um daqueles emails. Tinha lá a ementa toda: imagens chocantes, sensacionalismos pseudo-comoventes, gritos de guerra ternurentos e claro, como não poderia deixar de ser, o bom espírito cristão. Numa primeira leitura, a intenção foi apagá-lo imediatamente. Mas a indignação que me causou perante tanta leviandade e moralismo, levou-me a escrever um email de resposta. Por me continuar a revêr em tudo o que escrevi (à excepção de algumas tiradas menos maduras e mais revoltadas ), aqui fica o email e a minha opinião:
Confesso que, numa primeira visita à minha caixa de correio, assim que abri o email que despoletou este saudável debate, a minha atenção se centrou pouco mais do que nos primeiros 3 ou 4 diapositivos do trabalho heroicamente elaborado pelo Sr. Deputado do PS. Todavia, o facto de, por esquecimento, não o ter apagado imediatamente e ainda por este ter suscitado dois interessantes comentários que felizmente chegaram novamente à minha caixa de correio, fez com que, pacientemente, analisasse do princípio ao fim o citado trabalho. Em primeiríssimo lugar, gostaria de dizer que emails deste tipo, não obrigado. Se, seja quem for, procurar, ao mandar-me um email, dar-me a conhecer um assunto sobre o qual se interessa e acha que deve partilhar comigo, tudo bem; diferente é circularem emails propagandísticos, sensacionalistas e vazios de intelecto de relevo. Debate sim, propaganda não. Seguidamente, queria só deixar uma pequena nota sobre o trabalho propriamente dito: para a próxima, aconselho o Sr. Deputado a fazê-lo num programa bem mais simples, tipo Word ou coisa assim, e explico porquê. Como deve ser comum a vocês todos, abundam nas caixas de correio por todo este mundo, estas apresentações em powerpoint que normalmente abordam temas como a sexualidade, o Zodíaco, amizades "verdadeiras" e por aí fora. Ora este tipo de temas já conotaram o Powerpoint como um programa para isso mesmo: temas de tanga. Treta e mais treta. A minha opinião passa pois por sugerir a todos os iluminados que, num surto misto de inspiração e filantropia, se lembraram de defender grandes causas, que o exprimam numa base mais simples e menos negativamente conotada. Experimentem o já por mim citado Word ou, arrisco-me mesmo a sugerir, o bloco de notas (ovelha negra do Windows).
Visto isto, passemos então à questão que me levou a perder uns minutos neste email. O trabalho do Sr. Deputado Cláudio Anaia prima, antes de mais, por vários aspectos que saltam à vista de qualquer um: a ausência de fontes (referido pelo Pedro Magalhães, que não conheço mas desde já saúdo), a demagogia barata e fácil e a incrível capacidade demonstrada ao longo de toda a exposição de nos tentar "vender" algo. Mais do que uma transmissão de ideias, pensamentos ou reflexões, todo o trabalho é feita numa lógica de marketing ao melhor estilo liberal: não interessa o que o leitor pensa; é-nos dado uma série de afirmações fortes e quase que irrefutáveis que nos levam quase a que, desesperadamente, só queiramos sair do email e ir a correr para as urnas meter um "NÃO" no referendo, o que, analogamente, podemos comparar a uma ida a uma sapataria em que compramos as botas só para nos vermos livre da empregada que nos está a atender. A análise e defesa de algo não passa necessariamente por impressionar ou chocar; quanto menor o uso dessa técnica, maior será o lucro em termos de transmissão da ideia de que se é apologista. É repugnante como uma questão moral, ética e humana que diz respeito a todos nós, possa ser tratada e passada como um qualquer produto de mercado que, como qualquer outro, precisa de ser publicitado e promovido. É triste mas é assim.
O referendo que se vai realizar sobre o aborto tem sido, desde o seu anúncio, distorcido pela maioria da opinião pública e, quase na sua totalidade, pelos defensores do "NÃO". O que se está a referendar não é o aborto, meus senhores, não é a questão se se pode ou deve abortar; o que se está a referendar é somente a crimininalização ou não das mulheres que abortam. E isso são duas coisas completamente distintas. A demagogia e a distorção de que falei aplicam-se pois ao que tem sido desenvolvido pelas campanhas do "NÃO": chamam a comunicação social, formam novos movimentos pró-vida e dizem que não se pode "matar" um bebé, quando não é NADA DISSO que vai ser votado pela população portuguesa por via da sua soberania democrática. O aborto já é possível no nosso país (como indicou Cláudio Anaia) e cabe-nos a nós decidir se uma mulher deve ou não ser julgada, e mais do que julgada, humilhada e vexada em público, por uma decisão que diz tudo menos respeito ao Estado, ao aparelho judicial e à praça pública. A minha opinião quanto a esta questão é a de que, num Estado de Direito democrático que consagra a PLENA igualdade de direitos a todos os indivíduos SEM EXCEPÇÃO, cabe unicamente à mulher e ao seu companheiro, a decisão sobre o rumo a dar a uma nova semente. Sobre se é ou não um ser humano, não me vou alongar sobre essa matéria pois considero ridículos os argumentos demagogos e bacocos utilizados pela maioria das secções mais conservadoras, nomeadamente aquelas que são as primeiras a defender a pena de morte e outro tipo de medidas hostis à harmonia da humanidade como ela foi criada: como uma só. Não me debruçando sobre esse ponto, aponto um outro: é legítimo deixar um "ser humano" de 6 semanas ver a luz do dia e de seguida dar-lhe 60 anos passados no meio da merda?! No meio da miséria e do lixo?! É legítimo obrigar uma mulher a ter um filho sem lhe dar condições para tal?! É correcto defender que alguém tem direito à vida e depois marginalizá-lo, estereotipá-lo e deixá-lo à deriva neste mundo cão? É essa a vossa ética e a vossa moral?!?! É bonito parecer. Mas não chega. Há que ser e contribuir se é que se acredita em algo. Porque direito à vida não é como a merda de um direito comercial; NÃO É DÁ-LO E DEPOIS ESQUECER QUE SE DEU; TER DIREITO À VIDA É TER DIREITO À SAÚDE, A UMA ALIMENTAÇÃO DECENTE, A UMA FORMAÇÃO ENRIQUECEDORA E A UM TRATAMENTO IGUALITÁRIO.. ISSO É O DIREITO À VIDA! NÃO CONFUDAM COM UM REGISTO DE NASCIMENTO E UMA FESTA DE 2 MINUTOS NUMA MATERNIDADE QUANDO UM BEBÉ NASCE. SE QUEREM DE FACTO “REFLECTIR COM CONSCIÊNCIA”, COMO ESTÁ DEFINIDO NO “ASSUNTO” DO EMAIL DO SR. DEPUTADO, ENTAO FAÇAM-NO COM TRANSPARÊNCIA, SEM HIPOCRISIAS E DE MENTE ABERTA, SEM PALAS E PRECONCEITOS. Porque defendo e acredito na igualdade entre homens e mulheres, porque penso que ninguém tem o direito de interferir nas decisões que só dizem respeito a quem as suporta e, fundamentalmente porque sei que vivemos num mundo egoísta e hipócrita, sou pelo “SIM”.
Peço desculpa se me alonguei em demasiado neste texto, mas a convicção com que o escrevi é directamente proporcional à hipocrisia que reina hoje em dia.
Um abraço
quinta-feira, 13 de março de 2008
Coincidências do mundo global
É estranho perceber que o país que carrega a bandeira do combate ao terrorismo e se orgulha de estar na linha da frente dessa guerra contra os terríveis terroristas da esquerda e do islão, seja o patrocinador dos terroristas de direita, dos terroristas do islão, o maior Estado que pratica o terrorismo de estado e o fornecedor das armas dos tais terroristas, que apoia o terrorismo económico.
É curioso que esse mesmo Estado queria lutar por um mundo sem armas nucleares, possuindo ele as suas.
É ainda mais curioso ver a forma como ele se aplica na defesa dos direitos humanos, quando prende inocentes em prisões onde se aplica tortura e os mantém presos sem lhes dar direito à defesa, abandonando-os depois sem explicações.
Havia um nome para isto, será que era hipocrisia?
quarta-feira, 12 de março de 2008
terça-feira, 11 de março de 2008
prós e contras
os monárquicos gostam mais de bater palmas que os republicanos.
segunda-feira, 10 de março de 2008
Era isto que queriam?
Li no jornal há uns dias o seguinte título: "Menos unidades de pílulas vendidas em 2007."
Este é um daqueles títulos que uma pessoa pensa logo que está lá para encher o belo do jornal! È ÓBVIO que com o aumento de soluções para a gravidez indesejada o consumo do principal método desça. Isto indica também outra coisa, ou aborto, ou intervenção voluntária da gravidez como muitos chamam, está em riscos de banalização. Foi precisamente com a entrada em vigor da nova Lei do aborto que esta queda se acentuou. A banalização de que falo está a par da própria banalização da vida humana que se tem vindo a desbotar nos últimos tempos. Tendo um método que permite cortar o mal pela raiz, muito mais tarde, dá tranquilidade em demasia às mulheres portuguesas. Os números confirmam que o aborto teve um aumento na ordem dos milhares dando razão aos defensores do Não ao Aborto. Esta facilidade não ajuda as mulheres portuguesas nem respeita os Direitos Fundamentais do Homem. Hoje em dia ninguém pode dizer que ali (momento da concepção), não há vida humana.
sexta-feira, 7 de março de 2008
é difícil ser de direita em portugal
Nuno Melo lembrou uma posição do PCP, há sete anos, em que os comunistas se propunham "combater a perversão dos serviços de segurança e informação da República" e deixou a pergunta: "Posso confiar que os deputados do PCP e do Bloco não divulgariam um qualquer documento ou informação se vissem vantagem política?"
O próprio deu a resposta durante o debate dos projectos de lei sobre segredo de Estado: "Sinceramente, acho que não."
Na resposta, o deputado comunista António Filipe pediu a defesa da honra, afirmando que as palavras de Melo eram ofensivas "e um insulto miserável" à bancada.
António Filipe ainda sugeriu que Nuno Melo pedisse desculpas, mas o deputado democrata-cristão não o fez.
não sei quem é este Nuno Melo. Sei que este pedaço de prosa é indicador da necessidade que um partido importante para a pluralidade de opiniões da nossa democracia tem em redefinir ideologias, ou melhor, passar a ter-las.
quarta-feira, 5 de março de 2008
10 batalhões. batalhões de tanques
A fronteira com a Colômbia é selva densa. É muito tanque.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Vamos então por partes.
Manel,
Quando disse "atenção aos sacos!", referia-me aos sacos, rótulos ou apreciações globais que se fazem das pessoas e das suas ideias. E estas "apreciações globais", muitas vezes, pelo seu carácter pretender ser precisamente global e permanente, resultam em conclusões deturpadas ou mesmo erradas. Passo então a explicitar. Incluíste-me num grupo de pessoas com sendo de Esquerda que alegadamente já reconhecem uma Direita moderna, amante da liberdade, inteligente, racional, etc. São todos adjectivo teus. Atenção: eu nunca disse reconhecer esta Direita. Não que ela não exista; existe, felizmente. Mas, a meu ver, sem esse ênfase tão grande que lhe dás com o uso destes adjectivos. Tal como afirmaste, eu aceito as diferenças. Procuro sempre tentar ouvir, conhecer e compreender outros pontos de vista. E exactamente por isso recuso e distancio-me de sectarismos e dogmas milenares de alguma esquerda. Mas, lamento Manel, essa direita idílica de que falas, escasseia. Primeiro: em Portugal não existe. Pura e simplesmente, não existe. Nem em Partidos, nem em políticos, nem em ideias... em nada. Há uns tempos deixei a minha opinião precisamente sobre a direita portuguesa no Almanaque. Na altura, qualifiquei-a como uma direita presa a "beatices e salazarices". Mantenho isto na íntegra. O porquê está lá. Ora, sendo esta a avaliação que faço da nossa pobre direita portuguesa, rapidamente poderás compreender que ela não é para mim moderna, amante da liberdade ou inteligente. Nem mesmo competente. E com muita pena minha, como também refiro nesse mesmo texto.
Mas como nem tudo são desgraças, reconheco efectivamente uma direita com os pregaminhos de que falas. E aí, aponto imediatamente a direita nórdica. Bem sei que é fácil e previsível esta opinião, mas efectivamente trata-se de uma direita que é de louvar. Uma direita laica, plural, de intervenção estatal, livre de preconceitos e discriminações, prática, eficiente, socialmente preocupada. Como sabes, estive na Finlândia nestes últimos tempos. Tens um welfare state na sua melhor expressão: um Estado solidário e activo. Não vale a pena enumerar o seu modus operandi ou as suas vantagens. São já quase do senso comum. Pena que só mesmo do senso comum e tão distantes de nós. Noutro plano, também alguma direita germânica, inglesa e mesmo americana (Ron Paul, por exemplo) são casos desta direita que aprecio.
Isto tudo para esclarecer uma ideia central: reconheço e congratulo a existência de uma Direita com os atributos de que falas. Mas, infelizmente, a direita em Portugal, e a maioria da Direita dos países democráticos em todo o mundo não tem esses mesmos atributos. De forma alguma. Espanha, Polónia, EUA, França, Itália,... é preciso mais?
Uma última nota: Pinto Balsemão e Sá Carneiro são/eram políticos laicos? Não me parece que isso seja assim tão claro....
João Pedro,
Mais uma vez saúdo a tua vinda ao Há Discussão.
Se andas farto de retórica ou não, isso é um problema teu. Quando comentas um blog, corres o risco de levar com ela. Por isso, avalia primeiro o teu nível de cansaço e só depois pensa em comentar. Não vás levar com uma boa dose dessa arte do bem-falar...
Mas, pior do que isso, é que tu não levaste com retórica nenhuma. Levaste sim com uma resposta inteligente e esforçada. E se alguém fez "copy paste" de alguma coisa, foste tu meu amigo. Porque argumentos desses, tão inflamados e ao mesmo tempo tão vazios, são, de facto, e nas palavras do Manel, conversa de café.
Depois acusaste o Manel de fascista. Bem, aqui não posso esticar-me muito, porque também eu já o fiz. Hoje não o digo. Mas isso não implica que por vezes, a meu ver, o Manel revele algumas das ideias mais mesquinhas da direita.... mas isso são contas de outro rosário. Voltando ao fascista, depois de atirares com este adjectivo ao rapaz, dizes ser impossível a existência da direita de que ele fala. Quanto a isto, já dei a minha opinião mais lá em cima, pelo que é clara a nossa divergência de pontos de vista.
Voltando à questão do fascista, deixa-me dizer-te uma coisa. Como jovem curioso que sou, depois de ver o teu comentário, fui explorar um bocado o teu "perfil". Como aliás faço com quase toda a gente. E qual não é o meu espanto quando, no teu blog de nome "Insubordinar" encontro esta pérola. Se a tua autoridade já era duvidosa para apelidar o Manel de fascista, depois desse brilhante texto, desapareceu por completo. Fica-te mal, deixa-me que te diga. Nem me vou alongar muito sobre o teu escrito. Está lá tudo muito claro: xenofobia, elitismo, racismo e quantos "ismos" deste género quiserem....
Espero voltar a ver-te por aqui, se possível, como já o disse, com mais "substância".
Um abraço
auto da perfídia
Esta é a foto que está a pôr nervos em franja por todo o EUA.Nela aparece Barack Obama, candidato democrata, vestido "à muçulmana" durante a sua viagem ao Quénia. Diz-se que a foto, revelada por apoiantes da campanha de Hillary Clinton, vem retirar a Obama a confiança do eleitorado americano mais conservador.
Eu até acho que pode ser uma jogada de Obama para se mostrar ao eleitorado americano como o paladino da igualdade e da fraternidade entre religiões e povos, visto que este já várias vezes se mostrou "tendencialmente simpatizante", nos moldes do politicamente correcto, do catolicismo.
De qualquer forma, a foto só vem aumentar a admiração que tenho pelo candidato. Pelo menos na política europeia, por cá consideramos bom sinal um político que seja respeitador da pluralidade e do indivíduo enquanto ser capaz de escolher, não se remetendo à vontade da maioria populacional.
Se na América é diferente, peço ao senhor Obama que mude a nacionalidade e se candidate a primeiro ministro por cá, que se precisa urgentemente de gente despretensiosa, e que lá ele não está a fazer nada.
Caso os apoiantes de Hillary tenham sido os culpados pela divulgação da foto, penso que o tiro lhes saiu pela culatra.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Europa: a crise da Esquerda e o caso Português
Os únicos países que mantém governos de esquerda, actualmente, na Europa, são apenas dois, uma velha monarquia e uma pequena república, curiosamente vizinhas. A república portuguesa e o reino da Espanha.
Isto pode querer dizer várias coisas. Na Europa, com a maior pluralidade de ideologias, a direita, que aproveitou as últimas crises económicas e políticas para rejuvenescer e mudar a sua imagem aos olhos do eleitorado, tirou à esquerda, mais descuidada neste parecer, grande parte da exclusividade de ideias que esta possuiu durante décadas. De facto, a democracia cristã, liberal ou democrata, uns chavões quase proibidos na nossa terra, um porque é um óbvio atentado ao nosso sagrado laicismo, os restantes dois porque são atentados à nossa sagrada ignorância, obtiveram lá fora uma pluralidade de ideais modernos que ganharam simpatias entre a população jovem e adulta, entre conservadores sedentos de uma moralidade nacional e antigos militantes de esquerda, que se dizem agora liberais para afirmar a sua mudança para o centro político.
Apenas em Portugal persiste a ideia de que a Direita, ou é totalmente virada à direita (CDS/PP) ou disputa o centro com os socialistas. De facto, mantém-se uma visão redutora, e não se imagina sequer que um partido de direita possa, imaginem, aprovar a despenalização do aborto e a legalização das drogas e da prostituição! É, no entanto,é o que acontece "lá fora". A direita ganhou um impulso liberal de tal forma que se mostra mais libertadora e moderna que a esquerda. É o que se passa, por exemplo, na Holanda e na Finlândia, expoentes máximos destes casos (por falar nisso, na Finlândia está já lá o nosso autor, o edukador, um abraço para ele).
Faz falta em Portugal, como sempre fez, um partido de Direita sem preconceitos. Um partido que retirasse ao PS o excessivo peso na política nacional, peso esse impossível de contrariar com o PSD, devido à inércia deste.
No entanto, este situação europeia está a trazer efeitos nefastos na Europa também. Começa a escassear o original ideal europeu da união, da igualdade entre os países. Faz falta, também, em toda a velha Europa, um poder capaz de equilibrar a balança. Falta uma nova Esquerda, que controle os impulsos excessivamente "laissez-faire" da política moderna.
Faz falta...
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
WORSE THAN "DUDE"
Por isso, vejam a cena aqui.
Ah, e não se esqueçam de duas coisas enquanto a visionam: o protagonista é um Polícia que, como já defendi aqui em posts atrasados, tem, acima de qualquer outra obrigação, a função de proteger-nos e contribuir para o nosso bem estar enquanto elementos integrantes de uma sociedade; tudo o que se passa neste video é despoletado por um grupo de miúdos de 14 anos que, numa tarde como outra qualquer, pegaram no skate para fazer umas acrobacias.
Ah, o Polícia entretanto foi "suspenso". Dá-me vontade de rir.
A notícia vem no Público on-line de hoje.
Um abraço
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Abraço! (voltei a blogosfera, voltarei brevemente a fazer posts)
Navega em Portugal
A digressão vai percorrer o país (Setúbal, Lisboa, Coimbra, Braga) até à última actuação marcada para dia 3 de Março aqui no Porto. E onde? No melhor ambiente possível para esta jovem bela e talensosa... a Casa da Música.
Eu já reservei o meu bilhete!
Um abraço
domingo, 10 de fevereiro de 2008
só para desocupados
aqui
meus resultados:
#1You are a social democrat. Like other socialists, you believe in a more economically equal society - but you have jettisoned any belief in the idea of the planned economy. You believe in a mixed economy, where the state provides certain key services and where the productivity of the market is harnessed for the good of society as a whole. Many social democrats are hard to distinguish from social liberals, and they share a tolerant social outlook.
#2You adhere to the Third Way. The Third Way is a fairly nebulous concept, but it rests on the idea of combining economic efficiency - i.e. a market economy with some intervention - with social responsibility. The focus is emphatically on the community as a whole, and not necessarily equality per se. Adherents of the Third Way range from moderate to conservative in their social views, and have recently been willing to take a "tough" line on a range of social issues.
#3You are a social liberal. Like all liberals, you believe in individual freedom as a central objective - but you believe that lack of economic opportunity, education, healthcare etc. can be just as damaging to liberty as can an oppressive state. As a result, social liberals are generally the most outspoken defenders of human rights and civil liberties, and combine this with support for a mixed economy, with an enabling state providing public services to ensure that people's social rights as well as their civil liberties are upheld.
#11You are an anarcho-communist, aiming for a society without the state, based on small, decentralised groups living communally.
#12You are a fascist. You combine a strong belief in the nation with authoritarian social values, and a willingness to impose your views upon others. You strongly oppose immigration, and are willing to take radical action to combat it.
adoro blogocoisinnhas.
dos costumes
Sei que a lógica primária do olho por olho dente por dente, aliás expressamente condenada no nosso livro sagrado (também temos um!) não pode sequer ser considerada na delicada gestão das nossas relações com os povos do Islão, por isso não foi inspirada pelo desprezo que tais povos têm revelado pelos nossos valores que mudei de ideias.
A verdade é que o véu islâmico simboliza a sujeição da mulher a uma cultura machista que nós, no ocidente, já não toleramos há muito. A emancipação das mulheres foi o resultado de uma longa luta e de um crescimento civilizacional que conquistámos e que em particular nós, mulheres, queremos ver respeitado. A igualdade entre géneros é um valor fundamental do ocidente, portanto quando se discute o uso do véu islâmico é de valores que estamos a falar.
Será razoável, em nome da tolerância consentirmos no desrespeito desses valores? Será assim tão abusivo exigir a quem quer viver entre nós que não nos afronte? A integração que eles reclamam não terá que passar por aí?
Na verdade a questão está em saber até onde a tolerância nos deve levar. É que no limite ainda há quem se disponha, em nome da tolerância a assobiar para o lado quando se fala de excisão dos órgãos genitais femininos..."
in Corta-fitas
PS: desculpem a todos os bloguistas pela minha tremenda falta de consideração, por agir como se pensasse que deixar aqui postados neste blog e neste e ainda neste coisas retirados de outros blogues fosse necessário para me mostrar empenhado, a verdade é que, com o exame de economia, é preciso poupar-me ao esforço e apaziguar o bichinho da blogmania.
Deixo uma problemática para comentarem, os que quiserem claro. Abraços
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Quase parece que estamos no ano de 1984
Mais uma para a lavagem cerebral?
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Numa frase
Woody Allen
Pois é.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Shortlist Prize
Feist vai estar cá! A 10 de Junho no Coliseu do Porto e a 11 no Coliseu dos Recreios.
Deixo-vos aqui Inside and Out, música do penúltimo albúm Let it die.
Feist - Inside and Out
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Tratamento policial
Este fim-de-semana sentei-me a desfrutar do quentinho da lareira e vi o filme “Tropa de elite”, que me deixou perturbada por algumas horas. Isto porque o filme consegue deixar um dilema bastante interessante.
Para quem não sabe, o filme versa sobre o BOPE ou Batalhão das Operações Policiais Especiais, que é uma força da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Esta força especial intervêm ao nível das favelas do Rio de Janeiro e tem por característica o facto de ser incorruptível e de agir com extrema violência, isto é, entra a matar e usa a tortura para obter confissões.
A própria forma como a polícia é treinada remete para a extrema violência, para a humilhação e dor psicológica, além de muita dor física.
Daqui que se conclui que os métodos são tudo menos ortodoxos. Mas o tráfico de droga com toda a sua envolvência que se verifica nas favelas, também não é ortodoxo. Ele vitimiza crianças, tira-as da rua e inicia-as num ciclo vicioso de morte, vício e pobreza mental. Isto é, será que este enorme flagelo social justifica que se matem os principais traficantes, aniquilando o tráfico pela raiz? Ou por outro lado, ao invés de usar a força seria mais eficaz continuar a tentar educar os mais novos, afastando-os da vida das drogas e do dinheiro fácil? Torna-se de facto difícil ponderar o que é melhor. Por um lado, é óbvio que a violência é cruel e não deve ser usado em nenhuma circunstância, até porque todos têm direito à redenção e matar um criminoso é tirar-lhe a oportunidade de ele admitir que errou e corrigir a sua vida. Humanamente, uma polícia que tortura para obter confissões e provas, viola os Direito humanos e estes são absolutos. Mas por outro lado, haverá algo de humano num tráfico que usa crianças como carteiros e as vicia desde pequenas para o perpetuarem?
Dificilmente de outra forma o tráfico é combatido, aliás, de outra forma, só mesmo legalizando as drogas, o que não parece uma medida que vá ser tomada.
Era interessante que mais alguns de vocês vissem o filme e partilhassem opinião. Isto porque me parece interessante discutir o assunto. Embora esteja mais pendente para o lado de que esta força é absolutamente brutal e desnecessária, porque viola os Direitos Humanos fundamentais e trata com violência a violência, desencadeando ainda mais ódio que pode levar ao incremento do tráfico, embora possa também ser o método mais eficaz, por vezes também acho que ela é necessária neste caso fundamental, pois caso contrário a polícia que age de forma normal não tem poder para alterar nada, sendo vítima de tiroteios e deixando-se levar pela corrupção.
I república pouco republicana
"Uma segunda vitória será conseguida nas eleições suplementares para o Parlamento, realizadas em Novembro de 1913, onde os Democráticos conquistam a maioria absoluta, elegendo 33 dos 37 lugares em disputa. Nesse mesmo ano, o partido de Afonso Costa vê confirmada a sua hegemonia eleitoral nas votações municipais e paroquiais.
A eleição obedece já às disposições estabelecidas pela lei eleitoral de 3 de Julho de 1913. Ainda mais restritiva do que a da Monarquia, recusa o voto às mulheres e aos eleitores analfabetos (considerados fáceis de catequizar pelos caciques clericais). Considera cidadãos eleitores os portugueses maiores de 21 anos, do sexo masculino, que estejam no gozo dos seus direitos civis e políticos e saibam ler e escrever português, com exclusão dos que estão no serviço activo dos corpos militares, militarizados e policiais. Receando o perigo monárquico e reaccionário, limita fortemente a capacidade de propaganda e organização dos adversários através da "censura de rua". Esta lei vigora até ao fim da República (exceptuando o consulado sidonista) e representa um passo atrás em relação à de 1911."
da democracia
No entanto, falhada esta tentativa de confederação em África, devido ao fraco carácter da presença francesa em terras africanas, manteve-se ainda um sistema híbrido de protectorado e confederação nas antigas possessões das caraíbas e América do sul, e a França continua a prestar muita assistência política e humanitária às suas ex-colónias.
O Império Pentagonal, como se chamava as antigas colónias francesas, falhou a transição para uma Commonwealth francesa, mas podia-se facilmente ter realizado este plano noutros países, principalmente o nosso, não fosse o carácter opaco e conservador do regime de Salazar, e o reaccionarismo e radicalismo dos políticos que trataram da descolonização, um dos processos mais vitais da história dos países luso-africanos, que foi feita da forma mais anti-democrática possível (mas isto será outra discussão).
No entanto, estes países, Chade, Senegal, Argélia, etc., ainda vêm a França como um pilar de estabilidade e um garante de estabilidade nas suas democracias. Não considero anti-democrática a reacção francesa. Todos nós, principalmente os que estudam e pesquisam sobre os assuntos da África moderna, sabem muito bem dos atentados à integridade humana e à liberdade que se fazem nesses países, em altura de guerra civil.
A presença da ONU quer-se para quando existem duas partes da contenda que não podem ser parcialmente preferidas por qualquer nação amiga ou aliada.
A intervenção francesa vem defender os interesses do povo de Chade, e criar possibilidades para que o diálogo entre facções decorra de forma civilizada. Não vejo aqui nenhum atentado há soberania.
Já faz falta uma maior aproximação entre Portugal e a Guiné-Bissau. O actual estado de desordem política, os ressentimentos que ainda existem de lado a lado, deviam acabar, e permitir uma maior colaboração do nosso país à democratização da Guiné.
Entre essas medidas, uma delas devia ser a revitalização da figura Amílcar Cabral, umas das figuras intelectuais mais fascinantes alguma vez saídas de uma faculdade portuguesa.
sábado, 2 de fevereiro de 2008
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Era uma travessa de Serviço Nacional de Saúde, se faz favor.
No entanto, José Sócrates continua a ser assobiado. Continua, mesmo quando aparece oficialmente para dar a notícia, e não se percebe bem porquê. O primeiro passo já o fez descolar da posição fetal: a nova Ministra já apareceu. Em meio dia não se podem prestar provas.
E então, aqui, há uma bifurcação. Os centros de saúde fecham surpreendentemente nas zonas com mais idosos por metro quadrado. As urgências fecham e as grávidas têm os filhos no percurso de 40km para a urgência mais próxima. E depois, claro, a corrida para a fronteira (numa insanidade semelhante às Intermitências da Morte). Espanha consegue ser maior e mais parecida com a Europa. A Europa sonhada pelos Socialistas, com todas as reformas sociais e os serviços nacionais de saúde grátis para todos. Mas Portugal continua a definhar, como se os anos passassem e isso não implicasse evolução. Como se cortar nas despesas de saúde fosse aumentar o preço do tabaco ou cortar nas exportações de abacate russo.
Do outro lado da bifurcação, temos a moda de criticar Sócrates que é quase como mudar de cuecas pela manhã. Todos criticam um bocadinho, todos fazem a sua achega, e muitos não sabem do que estão a falar. Todos criticam, como se o homem morto nas urgências por baixo da maca fosse culpa do Sócrates, como se a parolice do pessoal do INEM e dos Bombeiros Favaios fosse culpa do Sócrates. É moda criticar o Sócrates, só porque é fixe, afinal “eles é que têm a culpa toda!” mas fazer mais e fazer melhor não, que isso dá muito trabalho. Era muito bonito ter aqui um sistema de saúde como os nórdicos, agora fazer descontos é chato, enganar a Segurança Social é que é fixe e se eu puder hoje sair do trabalho sem ninguém dar por mim, é que era.
O povo deve levantar-se e gritar quando lhe pisam os pés. O povo pode fazer e deve porque os seus pés têm vindo a ser calcados muitas vezes, mas a crítica, para ter peso e não deixar de ser essencial na conduta dos governantes, deve ter a consciência como suporte. Pela Democracia.
Sobre o episódio INEM-Bombeiros ver o vídeo do Ricardo Araújo Pereira. Muito bom.
It's time for a Love Revolution
Trago aqui o primeiro single do novo disco. Chama-se I'll be waiting. Não é uma grande música. Mas é uma boa música. E é do LK, que por si só carrega já uma certa aura.
Lenny Kravitz - I'll be waiting
da estranha divisão do mundo
este belo pedaço de cantaria, acabado de derrubar por palestinianos, encontrava-se na fronteira Egipto-Palestina.
Erramos quando dizemos que o mundo está dividido entre eles e nós. Já a discussão da religião provocou muitas opiniões, mas eu tenho de dizer que as coisas nunca se tratam somente disso.
E não vou dizer que isto é sinal que o terrorismo palestiniano é visto como ameaça até pelos seus "irmãos muçulmanos".
O que eu digo é que, a impunidade de Israel, aliada à falta de escrúpulos dos tiranetes muçulmanos, causa uma das situações mais vergonhosas na história da Humanidade.
O Muro encontra-se dentro do território palestino. Viola direitos fundamentais e territoriais. Durante quanto tempo vai o mundo aceitar isto?
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
da solidariedade
domingo, 27 de janeiro de 2008
Molon labe
Trata-se de uma frase de Xeones, o personagem principal, proferida ao Rei da Pérsia.
"Direi a Sua Majestade o que é um rei. Um rei não se retira para a sua tenda quando os seus homens vertem sangue e morrem no campo de batalha. Ele não janta quando os seus homens têm fome, não dorme quando eles estão de guarda. Não garante a lealdade dos seus homens graças ao medo ou ao ouro. Ele conquista o amor deles com o suor do seu próprio rosto e pelas dores que suporta por eles. O mais difícil, um rei é o primeiro a levantar-se e o último a adormecer. Um rei não espera o serviço daqueles que comanda, porque ele é que os serve."
o tempo voa
Pete Philly & Perquisite - Time Flies
Boa música, bom video, país belíssimo, cidade belíssima (Amsterdão, onde já estive!), simplicidade, boa-disposição...
sábado, 26 de janeiro de 2008
Dos senhores representantes da nação
Eleitos pelo povo italiano, representantes desse mesmo povo, com legitimidade de título e exercício, encarregues da tarefa de governar e segundo alguns, os únicos que sabem o que é necessário para um país, os senadores italianos mostraram esta semana que afinal nem sempre o facto de ocuparem certo mandato, faz deles pessoas mais respeitosas e competentes. Porque se calhar nem todos nascemos com mentalidade para representar um país. Nem todos aprendemos a ter responsabilidade civil e política e a respeitarmos os poderes que depositam em nós, mas os senadores italianos poderiam ao menos tentar disfarçar essa irresponsabilidade e incompetência. As imagens que passaram esta semana sobre a reprovação da moção de confiança ao Primeiro-Ministro Romano Prodi, mostram a decadência política e de certa até fazem parecer os deputados portugueses extremamente sérios e competentes.
Mas se há algo que prejudica um país a todos os níveis, é a instabilidade política. E talvez por isso a máfia continue a ter o poder que tem em Itália, e basta lembrar a situação em Nápoles nas últimas semanas. Enquanto o poder político se preocupa em recuperar instabilidades e em marcar eleições ou arranjar sucessores consecutivos, o crime organizado aproveita para prosperar, quase parecendo isto mais uma consequência da própria pressão da Máfia sobre o poder político.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Agarrem esse jurisconsulto (com sotaque brasileiro, né?)
Venho por este meio informar que temos de espancar o III anónimo, mais conhecido por Manel, de modo a que ele pare de me fazer sentir uma pessoa horrível quase pronta a saltar da janela depois de me ter deixado este comentário no meu blogue
“Cara amiga:
vejo que partilhas das ideias do povo ariano. nós queremos a tua participação nas nossas fileiras! a raça ariana demonstra-se nos teus ideais, e as tuas críticas são já tomadas por nós como exemplares. os socialistas sionistas querem acabar com os partidos pequenos, visando-nos a nós! o teu post foi adicionado no forum nacional, o maior forum da juventude portuguesa, ligado ao PNR.
a bem da raça ariana, sieg Heill”
O que comprova que ele é uma pessoa vil que gosta de destabilizar a sanidade mental das pessoas. Sugiro por isso que se lhe aplique uma sanção punitiva que o faça sofrer por tudo isto. Pois denota-se claramente uma faceta neo-nazi escondida debaixo daquele rapaz que tenta levar uma vida normal.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
tomei a liberdade de pensar nisto
Se há algo que é produtivo em vésperas de exames, quando se tem insónias, é pensar nos destinos, nas cidades, nos sítios que nos fazem mesmo suspirar e pensar “quando é que eu estarei finalmente ali?”.
E surge um paradoxo: um país consegue de facto ter duas das cidades em que adoraria estar, mas tem ao mesmo tempo a cidade que me causa mais repugna de todas aquelas de que já ouvi falar. Nos Estados Unidos estão Nova Iorque e Los Angeles, a primeira porque consegue ter um certo sabor a Europa e claro, é a cidade de “o sexo e a cidade” (bolas, como sou obcecada), simbolizando de certa forma a emancipação feminina e o cosmopolita entre arranha-céus e táxis infinitos, Los Angeles porque é diferente de tudo aquilo a que estamos habituados. Não é Europa. São ruas largas, as costas da Califórnia que lembram guitarras ao fim da tarde, rodas de amigos, poemas escritos em pequenos blocos. No oposto, Miami, que é provavelmente das cidades com maior concentração de plásticas por metro quadrado, excessivamente ligada ao capitalismo, ao fútil, ao exagero profundo do culto da imagem estandardizada.
Na Europa, Moscovo sem sombra de dúvida. A cidade dos pequenos castelos encantados feitos de cores que enchem a vista. Amesterdão, com a liberdade inteira aos pés, novas experiências, experiências antigas com novas tonalidades. Itália. Por muitas fotos que veja de cada uma das cidades italianas, não consigo definir qual aquela que me suscita mais interesse. Atenas, porque tem uma carga histórica enorme. Tal como o Egipto, que consegue conjugar praias de água transparente com algumas das mais fantásticas construções que os seres humanos alguma vez fizeram.
E outra vez do outro lado do Atlântico, Havana. Embora nunca possa ser a mesma depois de Fidel e não creio que a consiga visitar antes de Fidel sucumbir à idade.
E é curioso notar que as pessoas têm ideias totalmente diferentes daqueles que seriam os seus destinos de férias. E agora que as férias estão à porta, não sabe bem pensar quais aqueles lugares que nos despertam mesmo curiosidade?
E outro Sol no novo Horizonte!
Para aqueles que me perguntam , costumo dizer que sou um bloquista monárquico por duas vertentes. A primeira vertente, politicamente prática, a segunda, politicamente ideal. E explico já a seguir o porquê.
Considero um erro o sistema de ensino português. Especialmente no que toca à filosofia e à história. Na filosofia, começam por nos ensinar os pensadores estrangeiros, isto é, dependente da política dos líderes. Se forem republicanos, atiram às crianças Voltaire, Platão e Descartes. Se foram liberais, Montesquieu, Locke e Hume. Se forem comunistas, lincham as novas gerações com Marx e Mao. O único grande pensador português que as crianças chegam a conhecer é o marquês de Pombal, a personagem mais desencorajadora de todas na nossa história, a meu ver.
Já na história, acontece o contrário. Damos-lhes a história do país, e depois a do Mundo. Como que a fazer a distinção entre o privado e mesquinho cá da Terra, e o magnífico além-fronteiras. A isto chamos provincianismo.
Nada mais torto podíamos nós fazer. Em filosofia, devia-se dar primeiro o cérebro que criou o País, e os homens que lutaram pela sua identidade. Suárez, António Vieira, João das Regras. Em história, devia-se dar primeiro o molde no qual o país se fez (a cultura céltica, romana, mourisca, germânica, indiana e nativa americana, francesa e espanhola, etc.).
Aprendemos que, há 800 anos atrás, numa terrinha da Península, nasceu um pequeno condado que, liderado por um líder carismático, se proclamou reino.
Eu não dou a Afonso Henriques o louro da criação da nacionalidade.
Portugal criou-se a si próprio, da forma que quis, que pôde, que escolheu. Para o bem e para o mal.
Nasceu de uma singularidade cultural demarcada do cenário ibérico: tradição sueva/lusitana/galaica, rivalidade com a tradição visigótico/romana de Leão e Castela, um forte desejo de autonomia embutido pela experiência do municipalismo muçulmano. E demarcada do cenário europeu: pouco feudalismo, tolerância religiosa muito elevada para a época, sentido de legitimidade soberana como transmissível do povo para o Rei.
As lendárias cortes de Lamego, que não se realizaram lá em Lamego, expressam o desejo de uma pátria nova, expresso por palavras ditas pelos representantes das classes altas e do Povo: Nós somos Livres, o nosso rei é livre, nossas mãos nos libertaram. Foram os portugueses que se deram a legitimidade da independência. Anos mais tarde, usaram este argumento da inerência da legitimidade contra Castela, contra Napoleão Bonaparte, contra o Estado Novo.
O Rei de Portugal sempre reinou apoiado pelo Povo. Podemos ver isto ao longo da história, desde 1383/85 a 1640. Na verdade, os concelhos portugueses sempre desempenharam um papel fundamental na nossa política. O exército nacional desde muito cedo existiu, e era formado por forças populares e não senhoriais, que serviam o Rei para proveito do país, convenhamos, nem sempre muito honrosos. No reinado de D.Afonso IV, um conselheiro disse-lhe que, caso este não começasse a tomar mais cuidado com a res publica, a "coisa pública", o governar dos Homens, os Povos tomariam a decisão de procurar um novo Rei. Assim, a Idade Média no nosso país não é demarcada por um sistema feudal, mas por uma república de concelhos unidas por um rei, quase sempre em regime de aliança contra as classes privilegiadas. O poder centralizador da realeza, no entanto, vai dissolver no futuro essa realidade, principalmente a partir de 1700, século do absolutismo, e do marquês de Pombal.
A expectativa contínua que temos do PR vem desses tempos. A figura paternal que outorgamos no Presidente da República, que sempre outorgamos nos nosso líderes, aquele amor quase incondicional dos povos ibéricos pelos governantes, tenham sido eles ditadores proclamados (ex.Salazar e Sidónio Paiz) ou até mesmo aspirantes a tal (ex.Vasco Gonçalves), bem como a líderes partidários (ex.Francisco de Sá Carneiro e Mário Soares, Afonso Costa) vem desse tempo. É algo que, enquanto comunidade, herdamos todos e passamos geneticamente aos povos africanos e sul-americanos. A vontade de fazermos valer os nossos direitos, por vezes adormecida, mas sempre explosiva e enérgica na hora de o fazermos (basta lembrar o apoio popular nos anos da crise de 1384 e 1640, mais uma vez, a revolução liberal de 1820 e a revolução de 74) também, vem desses tempos! Está constituída em nós, no nosso folclore, na nossa tradição, na nossa forma de ser.
Actualmente, vivemos num regime que não se adapta à nossa personalidade. O excessivo centralismo de Lisboa tornou o país abandonado e entregue ao saque da iniciativa privada. Só as cidades mais ricas, como Porto, Braga ou Coimbra, mantêm um relativo crescimento económico. Inundado de burocracia e despesa, os povos não têm a quem recorrer. Não persiste no país uma única instituição histórica que o povo reconheça. A corrupção da máquina administrativa, a Segurança Social em estado obsoleto, a falta de informação e até desconfiança, fazem com que os portugueses tenham poucos meios de queixa directa, a quem possam recorrer directamente. A Casa Presidencial, que tem esse dever, não merece dos portugueses confiança.
A regionalização trará uma maior eficácia da burocracia. Tornará mais fácil limar as arestas da despesa e confrontar diferentes crescimentos económicos. Tornará mais pragmático a fundação de empresas, e ao mesmo tempo a criação de postos de trabalho.
Democraticamente, protegerá melhor os interesses de cada um de nós.
Uma política social baseada nos planos do Bloco de Esquerda, a mesmo tempo, não farão parar os investimentos estrangeiros. Muito pelo contrário, vão incentivá-los através do aumento da procura dos consumidores mais pobres. Acredito muito na energia dos bloquistas, e gostava de a ver adoptada por outros partidos. No que toca à educação, acho que fariam um trabalho fantástico.
Uma Monarquia traria ao País algo mais subtil do ponto de vista interno. Do ponto de vista democrático, não perderíamos o poder para nenhum soberano absoluto. A Monarquia moderna não substitui a democracia. Instaura, isso sim, uma forma de governo capaz de conciliar muito melhor os interesses dos cidadãos portugueses com os líderes políticos elegidos pelos mesmos, e será uma via bem mais viável de ligação entre o cidadão e o Governo. Um Rei pode até ter menos poderes que o nosso actual PR. Se bem que eu defendo a atribuição dos mesmo de um para o outro, com reparações, obviamente.
O Rei deve ser uma pessoa escolhida por entre uma Casa Real ligada à história do País, que tenha formação política e que seja estável do ponto de vista psicológico, para funcionar como garante da estabilidade e da prosperidade dos cidadãos. Os países europeus mais ricos e mais democráticos são, actualmente, democráticos. Por muito que eu odeie jogar com estatísticas.
Assim, defendo um país laico, uma democracia representativa de partidos, com separação e interdependência de poderes, com um sistema de governo semiparlamentar com um Chefe de Estado hereditário. Defendo como anti-democrático a alínea b) do artigo 288º da CP, impondo como limite de revisão a forma republicana de governo, como protectora do princípio anti-monárquico de 1910. De facto, esta alínea não implica a proibição de um referendo entre uma Monarquia e uma República. Porque República será sempre o governo de todos por órgãos escolhidos por todos, e a Monarquia Portuguesa, desde 1142 a 1910, com o intervalo decadente mas curto do absolutismo, sempre respeitou a instituição republicana própria da Nação desde há 800 anos.
"... we fuck everything at the end" (Charlies Wilson)
- Charlie Wilson's War
Trazendo a 7ª arte ao blog (algo esquecida mas relembrada pelo edukador) penso que é pertinente referir este filme recente, que ainda podem encontrar em qualquer cinema ou "gravador" ao pé de vós.
Juntem a instabilidade política, ao medo apocalíptico de uma guerra com contornos bem reais, juntem as constantes ameaças à paz e aos constantes conflitos que parecem decisivos para o desencadear de uma Guerra Mundial. De um lado a América de outro a URSS, os polícias do mundo contra um dos regimes mais "persistentes" que existiu (esta persistência não tem neste caso valor pejorativo, nem tanto é crítica ao comunismo, isso deixarei para outros posts). A aclamada Guerra Fria é algo da nossa história que mexe com a técnica política e diplomacia como nenhuma outra época, basta recordattem o "telefone vermelho" para evitar conflitos. Mas até que ponto este tecnicismo se traduzia em influências?! Até que ponto EUA e URSS ajudavam definitivamente os países que "lutavam" e viviam sobre a sua "bandeira"? Até que ponto eles lançavam ataques contra 3os?! Seriam de facto "ataques"?
Este filme é uma excelente sátira aos EUA, à forma como eles policiam o mundo e como interveem nos outros países. Engraçado ver a imagem americana de intervir, ajudar, salvar pessoas e depois abandonar esse país a uma recuperação penosa e impossível, pois aos EUA só interessa resolver conflitos e não ajudar pós-estes. Mais propriamente, este filme fala do Afeganistão e da ajuda militar que eles carenciavam para vencer as tropas soviéticas. Também, é mister ter em conta a imagem dos diplomatas e dos congressistas e aí peguemos no nome traduzido em português do próprio filme "Jogos do Poder".
Poderiamos descrever a forma de actuação dos EUA "de início tudo é maravilhoso, depois no fim f**** tudo". Este fim é o já falado abandonar os povos que vegetam na miséria e não conseguem recuperar economicamente e socialmente pós-conflitos.
Vejam e desfrutem deste filme, não é uma obra de arte nem se propõe a tal, mas se gostam desta fase da História da Humanidade então é mesmo imperdível.
Abraço amigos cinéfilos (e mais uma vez dia 31 não se esqueçam de Sweeney Todd de Tim Burton, pois a magia do cinema é algo único - muito lirismo! Mas, ainda bem!)
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
entre o cinema e a realidade
Como sei que muitos dos frequentadores deste blog são apreciadores de cinema e, mais do que isso, que muitos deles leram o livro, sugiro que percam algum tempo nas crónicas de Meirelles. Para os cinéfilos, é um autêntico deleite técnico no que diz respeito à montagem, sequência e outros processos cinematográficos. Para os leitores, é uma excelente forma de conhecerem a forma como o livro é passado para a tela: as personagens, os locais de rodagem do filme e respectiva correspondência no livro, as opiniões de Saramago, entre outros. Para ambos, é uma oportunidade única de estar verdadeiramente por dentro de um filme. Que ainda por cima se baseia num livro magnífico de um homem, na minha opinião, demasiado grande para o seu país. Também aqui a cegueira está presente...
Infelizmente, o blog está na recta final pois pouco falta para o filme começar a estrear. Mas vale mesmo a pena irem aos escritos mais antigos.
Um abraço
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
não sou ortodoxo nem heterodoxo. sou um paradoxo
De facto, o nosso Noronha veio dar uma lufada de ar fresco. Eu vou entrar na onda, e presentear-vos com um pouco de filosofia, mas uma filosofia do povo, uma filosofia "de cigarra, e não de formiga". E como os sons de Cabo Verde me inundaram de amor linguístico, sim, porque eu sou um feroz patriota linguístico, procurei um autor que sempre identifiquei com o espírito português de ser.
Trata-se de um vídeo daquele que eu votaria como o português do século XX, o filósofo Agostinho da Silva.
Cabo Verde no coração
Hoje trago aqui ao Há Discussão, pela primeira vez penso, uma sugestão musical. Ao contrário do Almanaque, este espaço pouco tempo tem dedicado a melodias e ritmos. Por isso aqui vai.
Para os receosos de que a invasão hiphoperiana chegasse agora ao Há Discussão, descansem. Ainda não vai ser hoje, ehehe.
Agora é tempo de vos dar a conhecer, se ainda não conhecem, Mayra Andrade. Esta jovem cantora nascida em Cuba e criada entre Brasil, Alemanha, Angola, Senegal e Cabo Verde (uff!) é mel para os ouvidos. As suas diferentes raízes encontram pois reflexo nas suas sonoridades. Sente-se o gingar brasileiro, o exotismo caribenho, a magia africana... tudo acompanhado de uma voz ora doce, ora vigorosa, dengosa e quente. As palavras de Mayra, claras na maioria das vezes, verdadeiramente indecifráveis noutras (tal a mistura e remistura de crioulos), transportam-nos para um misto de muita, muita coisa. Pessoalmente, desperta-me uma vontade imensa de viajar. Descobrir. Cheiros, cores, rostos, mar, selva, terra, saudade, sol... A música de Mayra Andrade tem em mim um dom: inspira-me.
Hoje a minha querida Mãe fez anos. Quando tinha nas mãos alguns cds para escolher como prendita, lembrei-me de Navega, primeiro disco de originais de Mayra Andrade. Neste momento, está a tocar cá por casa. :)
Quanto ao disco propriamente dito, destaco as faixas "Dimokransa", "Tunuka", "Poc li dente e tcheu", "Lua", "Comme s'il en pleuvait",... Bem, para ser franco, gosto de todas. Cesária Évora ou Tito Paris são nomes cabo-verdianos que lhe são apontados como grandes influências. Há mesmo quem fale de Mayra como sucessora de Cesária...
Para aguçar ainda mais o apetite, e aqui dirijo-me aos rapazes, Mayra é aquilo que se pode chamar de um verdadeiro "traço". Destas o Sarkozy não pesca. ehehe :)
Deixo-vos este clip, que embora não sendo um teledisco propriamente dito, é de uma beleza singular. (Mayra Andrade é a de verde)
Mayra Andrade - Tunuka
"Contra o fanatismo"
A questão que a maior parte do mundo coloca. A questão de "um milhão de dólares" é "como curar o fanatismo?" Temos duas faces da moeda: de um lado, alguns com as suas armas correm pelas montanhas do Afeganistão a alvejar qualquer um que pareçam suspeitas - não será esta atitude, já em si, um pouco fanática?
Outros, tentam dedicadamente encontrar formas eficientes, justas e sem derramamento de sangue para acabar com o fanatismo... Neste era está uma "batalha em curso" entre aqueles que são fanáticos e que creêm que o fim, qualquer fim, justifica os meios, e os restantes, para quem "viver a vida" é um fim, não um meio.
O fanatismo é mais velho que qualquer religião, Estado, governo ou sistema político. Está por todo o lado - aqueles que destroem clínicas de aborto, ou que incendiam mesquitas e sinagogas um pouco por todo o mundo, só se diferenciam de Bin Laden pela magnitude do seu acto, não pela natureza do crime.
O fanatismo é tão profundo que para um fanático, qualquer um que antes era fanático e que entretanto o deixe de ser passa de irmão a traidor. Não há meio termo.
Atrevo-me a afirmar que o fanatismo está em todo lado. Um é bruto e bem visível, mas aquele que nós europeus vemos é mais silencioso, civilizado e mora mesmo ao nosso lado. Pois a "semente do fanatismo brota ao adoptar-se uma atitude de superioridade moral que impeça a obtenção de consensos" - Assim diz Amos Oz em "Contra o fanatismo". Reparem como é verdade quantos não fumadores não se acham superiores e queimariam viva uma pessoa por fumarem à sua beira. Ou quantos vegetarianos não arrancariam à dentada um pedaço de outro devido ao facto de eles comerem carne?? - de facto o fanatismo é nosso vizinho.
A essência do fanatismo concluo (isto é para ti Henrique) reside no desejo de obrigar os outros a mudar!!!! Pois o fanático é generoso, está mais interessado em corrigir o outro do que a si próprio. Pois reparem nesta interpretação Bin Ladin ao atacar os EUA é porque pretende salvar o ocidente, salvar as nossas almas, querem libertar-nos dos nossos horríveis valores: do materialismo, do pluralismo, da democracia, da liberdade, da emancipação da mulher... tudo isto que do ponto de vista dos fundamentalistas são males terríveis dos quais nós sofremos, e como afinal somos bons moços merecemos ser curados.
Como diz Amon Oz - "Sentido de humor, capacidade de imaginar o outro, a capacidade de reconhecer a necessidade de sermos sociais e ao mesmo tempo de anti-sociais", isto é viver em sociedade e ao mesmo saber quando devo reflectir sozinho sem influências. "Pode pelo menos construir uma defesa parcial contra o gene fanático que todos (sublinho todos) temos dentro de nós.
É algo que me preocupa o crescente fanatismo que existe entre nós, que passo a passo descamba noutros campos em racismo, chauvinismo, fundamentalismo, extremismo, totalitarismo. Ele está em todo lado (talvez este comentário já o seja sem eu me ter apercebido), o importante é que eu não matarei, não aleijarei ninguém para provar que estou certo... porque eu não pretendo convencer ninguém de nada. Simplesmente acredito naquilo que digo. O mundo preocupa-me o caos também, visto esperar viver num planeta próspero onde possa passar dias em discussões amenas e interessantes, em vez de dar por mim numa qualquer trincheira numa qualquer cruzada por um qualquer ideal, de uns quaisquers lideres que fanaticamente acreditam na sua razão e para isso enviam uma quantidade de agressores para com muita misericordia e porque são muito simpáticos provar gentilmente ao "inimigo" que eles (nós) temos razão e por isso é que vos estamos a matar. E irão ficar muito mais felizes no futuro... enfim... morrem agora, perdem e depois, quando estiveram de joelhos percebem a nossa razão.
Reparem, não foi o este o fanatismo que Bush executou ao "libertar" o Iraque? E ao mesmo tempo persegue outros fanáticos... Terá este círculo fim...
sábado, 19 de janeiro de 2008
Venha o Diabo e escolha
Agora, é Huckabee, outro dos candidatos, a vir a público dar conta de toda a sua boçalidade. Aqui.
Se há algum país no mundo que precisa de ser libertado, não é o Iraque, o Afeganistão ou o Irão... é a América. Da ignorância.
E a ignorância também é perigosa. Tanto ou mais que a energia nuclear... e também mata.
Um abraço
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Da grande nação democrática
A ver!
Um abraço
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
do tratado da europa
Novos cargos e mudanças nos modelos de decisão estão entre os aspectos mais relevantes
O novo tratado facilita a tomada de decisões e reforça a capacidade da acção externa da União Europeia.
Quem quiser aprofundar este resumo, veja tudo aqui.


